Imigração

PORTA ABERTA OU FECHADA PARA OS NOVOS IMIGRANTES ? QUAL O CAMINHO PARA A PROSPERIDADE ECONÔMICA NO QUÉBEC.

Por montrealnareal

direcao quebec

por Rogério Tanganelli. 

Cada vez que sai uma nova notícia sobre imigração o nosso coração aperta. Sei bem como é ficar em espera até que os todos documentos cheguem para então darmos início ao sonhado plano de imigraçao.

Há poucos dias o atual primeiro ministro do Québec, Philippe Couillard, anunciou que a “Belle Province” precisa aumentar o número de imigrantes qualificados no país. A justificativa já conhecemos. A diminuição da população ativa. O resultado é que no futuro, segundo uma parcela que levanta esta bandeira, a província não terá mão de obra suficiente para pagar a aposentadoria dos retirados. Couillard disse que os 50 000 imigrantes atuais por ano não são suficientes para atender a demanda.  O ministro disse ainda que a imigração não é uma escolha e sim uma obrigação do estado. E concluiu  que o Québec precisa estar apto a receber e preparar estes novos imigrantes e integrâ-los ao mercado de trabalho. Obviamente, há quem diga que Couillard só se pociosiona assim como forma eleitoral de abocanhar o voto imigrante.

Philippe Couillard, primeiro ministro do Québec, afirma que é preciso aumentar o número de imigrantes na província.

E é claro, nem todo mundo concorda com esta política de aumento no número de imigrantes. É o que pensam dois pesquisadores Brahim Boudarbat da Université de Montréal e Gilles Grenier da Université d’Ottawa.Eles produziram um documento no fim do ano passado que se intitula “L’impact de l’immigration sur la dynamique économique du Québec” ou ( Impacto da imigração sobre a dinâmica econômica do Québec ) e enviaram ao governo. O estudo afirma que nada prova que a economia do Québec precisa de mais imigrantes para se desenvolver. Eles afirmam que os atuais 50.000 imigrantes são suficientes. Segundo o estudo, a integração dos recém chegados no mercado de trabalho é muito difícil, e 42% dos que dão entrada no benefício social de ajuda aos desempregados, a famosa ( aide social ), são imigrantes.

O documento ainda cita outros estudos, onde existem cálculos que demonstram que o novo imigrante custa caro para os cofres do contribuinte canadense e que o novo residente custa mais ao estado do que retorna como impostos para a nação. 6000 $ por ano em média é o gasto com os “nouveaux arrivants” aos cofres do Canadá.

Como alternativa os pesquisadores dão como sugestão ao primeiro ministro a alteração na idade para a aposentadoria. Um resultado que é claro ao meu ver só resolve o problema a curto prazo.  O autor do estudo afirma ainda que os recém chegados possuem uma performance pior que os atuais trabalhadores e a chegada deles pode representar um fardo no futuro.

Este extrato acima foi retirado da reportagem do Journal de Montreal ( você encontra o link aqui reportagem do Journal de Montreal  ) e traz algumas informações a mais interessantes. Eu ainda não tive acesso ao estudo completo para uma análise mais profunda por isso não posso avaliar o documento no seu contexto geral. Prometo que volto a falar do assunto, mas é fato que faltam dados importantes como veremos.

Segundo o estudo, 86 % dos imigrantes instalam-se em Montreal, a maior cidade do Québec. Uma questão de facilidade, comodidade e oportunidade. Tenho certeza que muitos iriam para outras cidades se o caminho estivesse mais bem construído e claro.

A Taxa de desemprego dos recém-chegados gira em torno de 22% comparativamente aos 7,5% de taxa geral. Aqui uma grande contradição se apresenta. Se o país busca trabalhadores qualificados é preciso mais esforços para integrar este novo trabalhador.

42% da Aide Social está nas mãos dos imigrantes. De novo, não há emprego ou estão selecionando errado quando o assunto é trabalho. Falta mais facilidade na adequeção e equiparação dos diplomas e ordens.

O documento levanta que a África do Norte e o Oriente Médio são as principais fontes de imigrantes do Québec. Particularmente vejo poucos conflitos aqui e a reportagem coloca esta frase sem nenhum juízo de valor. O processo de seleção é igual. São trabalhadores com boa formação. A facilidade da língua é um dos grandes fatores de aproximação, mas os ideias e estilo de vida dos Quebecas parecem divergir um pouco da mentalidade dos imigrantes que chegam do Oriente Médio. É certo que a maioria se integra perfeitamente.

É fato também que algumas questões econômicas não podem deixar de repercutir entre os atores envolvidos na política de imigração.  Muitas indústrias Canadenses e do Québec foram transferidas para países mais pobres, onde a mão de obra é mais barata e a produção mais em conta durante a década de 80 e 90. E este é um setor chave para a adequação e chegada deste novo imigrante. Seria hora de voltar a produção de base? Mais, o Québec está realmente preparado para receber estes imigrantes ? Quais são os critérios de seleção pelas empresas e será que o processo de seleção do Québec está de acordo com o processo de seleção das empresa ? Se o processo trata de modelo de integração de trabalhadores, estaria o Québec alinhado com estes interesses do empresário e do mercado de trabalho ?

O que governos não podem esquecer é que imigrantes não são números declarados no imposto de renda. Ainda que esta matemática fosse desfavorável aos cofres públicos, como mostra o estudo, não vi a reportagem citar os gastos e investimentos na economia do Québec por parte dos imigrantes. Compra de casa, aluguel, serviços de telefonia e internet, alimentação, investimento na educação do país com inscrições em universidades, turismo, lazer, vestimenta, carros, transporte e por aí vai. Imigrantes fazem a mola girar e com muito dinheiro. Entretanto, uma economia não se baseia em números. Ela se baseia em administração de recursos. Este é o princípio da economia. Se o Québec quer uma intergração inteligente precisa parar de olhar números e olhas pessoas. O estudo também não traz os benefícios sociais, culturais e de imagem para uma nação que privilegia o multicuturalismo. Quanto vale o aporte cultural dos imigrantes e suas tradições e culturas. Além destas questões econômicas acima o Québec precisa realizar questões de valores. E precisa tomar cuidado para não cair no discurso fácil do xenofobismo e do racismo que só promovem a separação social.

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