Imigração | Opinião

Devo ou não imigrar?

Por montrealnareal

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Essa é a pergunta de um milhão de dólares. Segundo o prodigioso instituto Data-Marcio, cerca de 90% das pessoas que já estão em terras canadenses, com seus vistos de residente permanente, já ouviram essa pergunta de parentes, amigos, estranhos e talvez até de inimigos. Não é verdade? Recentemente com toda a conjuntura que nosso Brasil atravessa, inúmeros amigos tem me abordado sobre o tema e, por isso, decidi escrever esse post.

Para você caro leitor, que faz essa famigerada pergunta eu tenho uma resposta honesta, definitiva, que poderá mudar a sua vida.

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Não sei! Só você pode saber! Sim, ninguém vai entrar na sua cabeça, saber o que você pensa, ler seu coração e te dizer categoricamente: “vai que é tua meu quiriiiiido”. Sua bondosa mãe até pode te falar para não ir. Justificar que no Canadá faz frio. Que tem urso na rua. Que você vai trocar seu cargo de gerência por um de garçom e por aí vai. Mas te dizer se você irá se integrar e seu processo de imigração será um sucesso, é algo tão pessoal que você só saberá arriscando e vivendo.

Mas como não sou apenas babaca, ainda tenho certo amor por alguns bípedes, vou colocar aqui alguns questionamentos que podem te ajudar a decidir dar esse passo rumo ao maravilhoso mundo da saída da Matrix, permanecer mais um tempo se preparando ou desistir de vez.

1) O que te motiva a sair do Brasil?

Alguma pessoas saem porque encheram o saco da corrupção. (Canadá também tem corrupto. A diferença é que se aqui o cara for pego, sofre as punições devidas)

Outras porque sonham com uma vida no exterior. (É realmente fascinante morar num país multicultural e tão diferente do nosso)

Outras apenas querem uma experiência fora do país. (Mas será que só um intercâmbio, ou viagem a turismo já não resolveriam?)

Se o seu foco é ficar rico, sorry mon cher ami, desista. (Eita, agressivo hein?! Caraca!) Salvo algumas exceções, dificilmente alguém fica rico nessas bandas de cá. Porque aqui eles fazem de tudo para diminuir as diferenças sociais. Se você ganha muito, paga um imposto estupendo. Se ganha pouco, paga proporcionalmente menos. Existem salários suntuosos? Claro. Existem os ricos, óbvio. Mas o caminho será tão longo, que talvez seja mais fácil você encontrar o Cálice Sagrado ou a Arca da Aliança antes que isso aconteça.

2) Você está preparado para uma mudança tão radical na sua vida? Quando pergunto isso, nas entrelinhas o que está escrito é: você acha que pesquisou o suficiente sobre o local que irá se estabelecer? Situação econômica, facilidade ou dificuldade de arrumar emprego, idioma, se há algum tipo de ajuda do governo, quais são as condições exigidas pelo governo local para que você se mantenha lá…Mas não tô falando daquele tipo de pesquisa “fulano me contou”. Estou perguntando pelos canais oficiais. Nada vai te preparar 100% para essa aventura de recomeçar a vida, mas bom planejamento e pé-no-chão ajudam demais nesse caminho. E como cada experiência é diferente da outra, nunca decida sua vida em função do que os outros te falam. Experiências alheias ajudam, mas são pessoais demais para determinar a verdade absoluta.

3) Qual o seu nível de apego à sua família, amigos e cidade? Isso é de suma importância. Se você tem algum relacionamento amoroso mal resolvido, é daqueles que não perde um dia de sol e corre para a praia, está todo dia com amigos, vê sua família com frequencia, nunca passou mais de um mês longe de casa, prepare-se! O bagulho é doido! A tal de saudade é uma vadia sem alma que quando você menos espera ela crava uma espada no teu peito e te corta ao meio. Tem gente mais resistente, outros menos, mas em algum momento todo mundo sofre de saudade. Isso é absolutamente normal. Mas não a ponto de ser um motivo para sua volta ao país. Por que se for, no primeiro mês aqui você estará desesperado correndo para o aeroporto. Já vi casos de gente que voltou porque não aguentava ficar sem acompanhar seu time do coração. Mas alguém imagina que os estádios canadenses recebem jogos de times brasileiros toda a semana? Por isso vou repetir, pesquise!

4) Qual seu nível de apego ao seu status social? O quanto de orgulho você se permite ter? Desde que recebemos o sopro da vida e deixamos de ser barro para sermos pele, carne, ossos, rugas e maquiagem, nós, seres humanos, convivemos com o orgulho, o ego e o nariz em pé. Os primeiros passos em novas terras são moldados através de muito desapego. A receita do seu sucesso ou fracasso passará pela sua capacidade de ser verdadeiramente humilde. Porque por mais fluente que você seja, o francês ou o inglês não são seus idiomas nativos. E isso faz com que a gente erre. Se você for malandro, vai respirar fundo e aprender com o erro. Se não, vai sofrer uma frustração atrás da outra.

É o pica das galáxias da empresa? Disputado a tapa pela concorrência? Ganha salários de seis dígitos? Dane-se, aqui você é mais um. Os gringos não te conhecem, não sabem sua procedência, não tem ideia de como você se comporta. Porque vão investir tempo e dinheiro te contratando? Esse é o pensamento. Mas nem tudo está perdido amiguinho. Basta você usar aquela arminha que te dei lá em cima: humildade. Fazer trabalhos voluntários, estágios não remunerados, aceitar cargos inferiores ao que você ocupava no Brasil, voltar a estudar (sim, eles valorizam absurdamente uma formação feita aqui) tudo isso está dentro do contexto e a maioria dos recém-chegados passa por isso antes de conseguir sucesso.

5) Depois de toda a pesquisa feita, você tem certeza que quer continuar nessa louca aventura e aprontar mil confusões com essa turma do barulho? Se você tiver o mínimo de dúvida durante o processo, para um pouquinho, descansa um pouquinho…reflita e só venha com a mais absoluta certeza. Costumo dizer que imigrar não é para qualquer um. Não quer dizer que quem imigra seja melhor, mas é diferente. A mudança de vida tem que ser prioridade, acima de todos os itens colocados acima.

6) Quais são seus planos? E se ele der errado? Existe um plano B, um plano C? Vejo muita gente que quando ainda está no processo, antes de imigrar, questiona sobre o mercado de trabalho como se nada mais importasse. Eu mesmo passei por isso. É natural, afinal de contas você está abrindo mão do conforto do seu lar para morar num país estranho e precisa de grana para se manter. Mas é importante você ter em mente que as coisas mudam muito e é fundamental ter outros planos caso seu planejamento principal não saia como pensado de início. Por exemplo, você pode contar em chegar em Québec e juntar a bolsa da francisação às suas economias. E não conseguir vaga logo de cara e ficar 3 meses esperando para começar. Ou o processo de validação do seu diploma pode demorar mais que previsto. Ou chegar numa época em que as empresas pouco contratam. Vai fazer o que? Plano B, C, D…

7) Vem acompanhado. Quem vem contigo quer realmente embarcar nessa?

Mudar radicalmente a vida é um passo que deve ser dado em conjunto. É um jogo de equipe. Se alguém do time não está afim de jogar, dificilmente você ganhará essa partida. São incontáveis os casos de divórcio pós-imigração. São muitas mudanças que causa insegurança e se há algo minimamente mal resolvido entre o casal, a bola de neve aumenta de maneira exponencial. Portanto, se vier acompanhado, tenha absoluta certeza que esse é um plano do casal e não algo pessoal e/ou imposto ao seu amor. Caso a família seja um pouco maior, certifique-se de que seus filhotes também estão dispostos a embarcar nessa. Não force a barra, já que também são comuns casos de depressão infanto-juvenil após essa mudança. Ouça seu filho, entenda os motivos dele não querer imigrar. Se não conseguir convencê-lo, pense bem antes de tomar a decisão. Porque depois que vier, vai ser mais complicado ter que lidar com essa frustração. E acredite, a infelicidade da sua família pesa mais na balança que sua empolgação com seu novo país.

8) Você virá com que status de visto?

Se virá como residente permanente, esse texto é para você. Porque acabei escrevendo como alguém que encara a decisão de imigrar como algo definitivo (meu caso), ou quase. Se virá transferido do trabalho, se vai fazer intercâmbio, se vem estudar um tempo, a coisa muda de figura. A maneira de encarar a mudança de país de maneira definitiva ou provisória é completamente diferente. Mas em todos os casos, planejamento é a palavra de ordem.

Bom amigos, o texto é longo, o assunto é complexo e com certeza voltarei nele outras vezes. Quer acrescentar à discussão, sugerir, criticar? Deixe comentários ou mande por email.

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Au revoir, valeu, bye

Marcio Ribeiro

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