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Cesta nada básica (ajuda alimentar ao imigrante)

Por montrealnareal

 

cesta

Por Marcio Ribeiro

Mais um texto que estava no meu blog pessoal e que resolvi postar no Montreal na Real porque pode ajudar quem está para chegar, ou já está por Montreal, e não conhecia esse tipo de cestas alimentares que são doadas aos imigrantes por organismos sem fins lucrativos.

Salve salve meus queridos!

Ça va?

“Lá vem o gordo com mais um post sobre comida”. Aposto que é isso que você está pensando ao ver a foto acima, certo? Não vou ficar triste. Porque você tem parte de razão. Mas esse post de caráter alimentício-informativo tem explicação de ser.

Vamos às explicações:

Resolvi escrever para matar a curiosidade de pessoas que me procuraram perguntando sobre alguns tipos de ajuda que temos como residentes permanentes, imigrantes, nouveaux arrivants ou recém-chegados no Canadá. Se eu for relatar tudo, o post ficará gigante. Então acho que seria mais legal dividir por temas. O de hoje são as famosas cestas alimentares (que de básicas não tem absolutamente nada).

Antes de vir para Montréal, pensava que usaria todo e qualquer tipo de ajuda para “sobreviver” no Canadá. Se tivesse que passar umas horas numa fila para pegar um pedaço de pão, valeria a pena nesse começo, sem lenço e sem documento. Mas nós, brasileiro, temos o nariz em pé no DNA e somos um povo que come atum enlatado e arrota lagosta. Então quando chegamos aqui, a coisa foi um pouco diferente. Um pouco por essa questão de não se sentir confortável imaginando: “pô larguei uma vida legal no Brasil para mendigar umas migalhas de comida numa ONG qualquer”. Com isso, nem procurei me informar sobre as famosas e fartas cestas que muitos imigrantes que já pegaram comentam com tanto entusiasmo. Mas a maior questão que nos fez não precisar recorrer à essas ajudas, foi realmente a falta de necessidade.

Aqui em Montréal, mesmo se você estiver desempregado, ferrado, esfarrapado, falido, esmilinguido, quebrado, macambúzio, você terá acesso a uma alimentação de qualidade a preços honestos. É possível não ter renda e não precisar abrir mão de uma boa cerveja québecois (tô prometendo um post a respeito das cervas daqui, mas ainda não tive tempo de fazer uma pesquisa decente), comer uma Nutellinha de vez em quando, queijo de cabra, geléias de amora, carnes de todos os tipos (falo de lagosta, pato e cordeiro, por exemplo), tomar um bom vinho e por aí vai. Portanto, você sente que pode se alimentar bem, às vezes até melhor que nos tempos de Brasil, sem doer no órgão mais importante do corpo humano, o bolso.

Mas se você é do tipo pão-duro, mão-de-vaca, que chora para comprar um cafezinho na rua ou simplesmente veio com pouca grana e acha que seria válido complementar suas compras, recomendo procurar a Mission Bon Accueil . É um órgão sem fins lucrativos que ajuda imigrantes, seja doando alimentos através de parcerias com supermercados e empresas de alimentação, seja provendo cursos de idiomas, ajudando na integração ao mercado de trabalho, entre outros. Para saber mais sobre os serviços e a história do lugar, deixa de preguiça e clica no link de cima, certo?

Só para se ter uma ideia, a cesta da foto veio com pães (dois sacos no mínimo), dois pacotes de café, cinco barras de proteína, uma caixa grande de biscoito tipo cream cracker (alô paulistas! É biscoito, não é bolacha!), um pacote de macarrão, três de cebola tipo “échalote française” (hummm chique!), dois pacotes de frios, um de boi e outro de peru, um saco de salgadinho de milho (um cruzamento de skinny com baconzitos), alfaces, tomates, batatas, um pote grande de iogurte orgânico, e o créme de la créme: um pacotão de Oreo sabor chocolate branco (ai Jesus!), um pacote de Kit Kat (top 3 melhores chocolates da Via Láctea) e um delicioso cookie de chocolate, zero açúcar e zero gordura trans (comer sem culpa yeah!)

D-I-L-I-Ç-A !!!

Como funciona: A quantidade de alimentos é baseada na quantidade de pessoas que moram com você. Portanto, quando for se inscrever, leve os documentos de todos que moram contigo, mesmo filhos. Serve PR Card, Assurance Maladie, Confirmação de residência etc. E um comprovante de residência (conta da Hydro-Québec, telefone etc). Eles farão seu cadastro e te darão um número. Te passam um papel com serviços do órgão, telefones e instruções em português, inclusive (mais mole, só se derem pudim). Com esse cadastro, você pode ir lá retirar as cestas a cada duas semanas. Mas sempre tem que ligar para informar que vai. Funciona de 9h às 11:45h, mas se você não puder de manhã, pode marcar para a tarde, depois do almoço deles às 13h. Não tem mistério. Quer dizer, até tem porque você só fica sabendo o que vem na cesta daquela semana na hora em que vai retirar. Até agora nunca ouvi relatos de alimento ruim, ou estragado. Mas tem algumas coisas que podem vir fora da validade. Não se assuste! O butolismo não é grátis. É que aqui no Québec (acho que no Canadá todo) a validade mostra apenas o MELHOR momento para ingerir. Não quer dizer que a comida está estragada. Mas eu não daria mole de ficar estocando. Pegou, come. Em 15 dias dá para matar fácil. Alguns legumes dá para congelar sem medo.

Existem alguns outros órgãos como esse e igrejas que fazem esse tipo de serviço, mas eu sinceramente não conheço. Se pintarem informações, eu complemento esse post e aviso. Mas conheço gente que recebe do Bon Accueil e já pegou refrigerante, pizza, carnes, enfim, uma variedade de alimentos que podem, como já disse, complementar suas compras. Acho quase impossível que a cesta seja sua fonte de sustento principal, mas como pode-se pega-la a cada 15 dias, é um belo reforço.

Se quiser ainda mais informações sobre esses organismos, clique aqui para ver uma matéria feita pela Télé-Québec que explica tudo, inclusive sobre os prazos de validade.

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ATUALIZAÇÃO: Conforme prometido, se eu for recebendo mais informações sobre outras ajudas alimentares em Montréal ou outros locais no Canadá, colocarei o link aqui.

A Paula Izelgue do blog Escolhendo Québec  nos mandou um órgão em Ville de Québec – http://meiquebec.org/services.html

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Bom, cada um tem sua meta, seu orçamento, seu orgulho, sua fome, sua vontade ou não de “aproveitar” as ajudas que temos do governo e de órgãos como o Bon Accueil. Apesar da minha marra habitual, não pretendo aconselhar ninguém a usar ou não. Leia, se informe e tire suas próprias conclusões.

Compartilhe, comente, mande sugestões e, como sempre, pode xingar à vontade

 

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