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Fracasso e sucesso no exterior. Quando brasileiros erram o alvo da imigração

Por montrealnareal

target

Esta semana uma notícia foi recebida de forma distinta por muitos que vivem nas terras geladas do Canadá. A rede de lojas americana Target anunciou que está deixando o país. Eles chegaram por aqui em meados de 2013. As coisas andaram mal, mês após mês prejuízos com a perda de alguns milhões de dólares. Com o cenário mais otimista o lucro só viria em 2021, isso segundo os analistas da marca. As explicações foram muitas para o fracasso. Prateleiras vazias, falta de novidades, promoções nada convidativas, preços acima da concorrência, localização e os comparativos com a versão do Tio Sam considerada bem mais atraente.  Infelizmente o maior ônus da perda como sempre fica para os mais fracos, cerca de 1,700  trabalhadores que infelizmente irão perder seus empregos. Entretanto,  claro, fica também um modelo a ser estudado.

D’accord, mas o que isso tem a ver com os imigrantes e este título maluco. Aqui está o paralelo.  A Target, assim como você e eu meu amigo desembarcamos em terras estranhas com um único objetivo : o sucesso.

A medida do sucesso.

No caso da Target o sucesso é medido pelo lucro. Pelo menos a explicação para o fracasso foi traduzida em números. Sem dinheiro, não adianta, é hora de partir. O problema é que quando o lucro se torna o objetivo a sobrevivência pode estar ameaçada. Para uma família, indíviduo ou empresa o foco deve ser sempre o mesmo. Acima do rendimento está a própria sobrevivência e harmonia do grupo. Se o lucro for o ponto final o tráfico de drogas então é o melhor modelo de gestão, ou a prostituição. No entanto o lucro em muitos casos pode tornar o caminho da evolução turbulento. Ele, o lucro, pode representar o suicídio. É só olhar para a crise de 2008 que teve início nos EUA. Anos antes da bolha estourar os rendimentos foram recordes em todos os setores. Empresários comemoravam os altos salários que chegavam a ser 150 vezes maior  que o salário de um trabalhador comum. Foi exatamente o lucro excessivo e a falta de gerenciamento destes rendimentos que causaram o colapso.

Um outro exemplo, um pai ou mãe de família podem estar com ótimos salários, mas trabalham muito e não conseguem ver os filhos. Neste caso é preciso repensar a estratégia, por que estão perdendo o contato com aquilo de mais importante, os filhos e a manutenção da família pode estar em risco. O lucro em descontrole é temeroso. Quantas famílias e casais não são sacrificados em nome do rendimento ?

Muitos imigrantes medem sua experiência a partir do lucro. Quanto estou ganhando ? Qual carro possuo ? Meu emprego aqui é melhor do que no Brasil ? Pior. Pago muitas taxas, estou sendo roubado. Vou para outro país. Lá eu tinha ar-condicionado, uma boneca Lu patinadora e viajava uma vez por ano. Aqui tenho 2 mil na conta e uma mala da marca z. Estão sempre olhando números. Para estes imigrantes a vida pode ser um verdadeiro fracasso em terra alheia. As coisas demoram, o cargo sonhado não vem, o lucro não aparece e a decepção chega.

No Brasil aprendemos a medir o sucesso desta forma. Lembro de um dia que uma pessoa disse assim para mim. Você vai se mudar para o Canadá porquê ? Disse que queria continuar minha peregrinação pelo mundo para conhecer um pouco mais e tentar uma vida diferente. Ela me disse. Mas também, você não deu certo aqui no Brasil, não tem muito a perder. Nem adiantaria se eu disesse que havia feito isso ou aquilo. Um mestrado, um honra ao mérito, ou se eu tivesse simplesmente mantido com harmonia minha família, isso não é sinônimo de sucesso. No Brasil ele começa com RE e acaba com AL. Mas  nunca dormi neste barulho e resolvi partir, exatamente pra me afastar desta mentalidade.

O modelo Estadunidense de sucesso.

Muitos imigrantes entraram de gaiato no Quebéc. Uma boa parte sempre teve o sonho dourado norte americano, o famoso estilo american way of life. Sonham com bens de consumo e muitos deles. Sonham com as prateleiras da Target realmente como devem ser. Mas como o green card é muito difícil muitos tentam o primo de cima, o Canadá, caminho também difícil e a terceira via acaba sendo escolher o Quebéc, a província francesa, com ares de Rússia. O problema é que o Quebéc é uma sociedade muito mais vermelha que azul, mais esquerda que direita E o Chavez é mais querido que o Bush por aqui. Os impostos são altos, saúde e educação estão na mão do Estado e o fisco é severo. Existem muitas ações sociais para equilibrar o “gap”  entre ricos e pobres, apesar do país não ser diferente das potências mundiais. Ou seja, cada um no seu quadrado fique claro. Ficar rico no Quebéc é tão difícil ou mais do que no Brasil. Na verdade os índices de mobilidade social são muito mais altos no Brasil. E é por isso que existe uma centena de imigrantes, assim como a Target, metendo o pé do Quebéc ou no mínimo reclamando.

Adaptação.

Assim como a cooperação essa é uma das principais características da boa sobrevivência. Qualquer especialista dirá à rede Target que ela foi deficiente no quesito adaptação, não soube entender, esperar e se adaptar ao gosto e exigencias locais. O mesmo serve para o imigrante. Quando se chega numa nova casa a melhor coisa a se fazer é estudá-la. Tudo tem um processo e um protocolo a ser seguido. Talvez a Target errou o alvo ao escolher o Canadá, assim como muitos imigrantes.

Pelo menos no quesito imigração é evidente que o Canadá sabe bem receber. O Quebéc, mais ainda. A província tem uma história demasiadamente rica, um povo especial e batalhador e o maior diferencial para o recém-chegado, aqui ele é bem-vindo. Os imigrantes são selecionados e integrados e recebem muita ajuda para isso. E bota ajuda. Encaminhamento para escola, francisação, educação para os filhos, saúde, créditos financeiros, ajuda na inserção do mercado de trabalho, além é claro de uma integração cultural incrível. Em pouco tempo um imigrante já consegue se sentir em casa.

A regra do sucesso.

Não existe a regra do sucesso, muito menos um padrão, entretanto, existe planejamento e um caminho a ser seguido. Antes de mais nada você não deve ser influenciado por um padrão imposto por outros. Coloque teus principais objetivos em um papel assim que der início a sua etapa de mudança e tente se organizar para cumprí-los e estudar a evolução deste projeto. A Target quando saiu de casa sabia o que queria. E pode ter certeza que não era chegar aqui e ir embora em menos de dois anos. Houve falhas nesta história e onde elas estão? Nos poucos anos de estudo sobre o perfil dos imigrantes uma coisa posso dizer sem medo de errar. Existe um grande descompasso entre tempo, exigências e domínio das informações. São os 3 principais fatores que determinam a frustração para muitos. 1, 5, 15, quantos anos são necessários para a integração de toda uma vida ? Muita gente quer tudo de uma vez e que seja logo. A falta de informação também gera uma surpresa a cada nova barreira. Alguns chegam, encaram os primeiros desafios de validação de diploma e já se desesperam. Um estudo prévio maior eliminaria por exemplo esta frustração.

E as altas exigências fazem com que muitos transformem o tão sonhado paraíso num pacote de viagem turística enganosa. Acham que foram roubados. Existe uma sequência de “consumidores” incompreendidos no processo de imigração. As frases deles vão da : “Ninguém me disse que aqui era tão frio” passando pelo “O governo do Canadá convoca gente qualificada para lavar prato” ao “Eles estão de olho só nos nosso filhos” até as tradicionais “ Nem Francês eles falam” e a absurda que ouvi recentemente “ O Québec não tem história”.

Não somos do grupo cego defensores do Quebéc, mas a província cumpre o grande papel da integração de forma clara e honesta.  Aprenda a agradecer e nunca esquecer o que veio buscar. Estudo, trabalho, família, convivência, aprendizado, língua, experiências novas e inserção. Isso é a medida do teu sucesso. Esse deve ser o teu foco. Não os números da tua conta bancária. Ter carro, casa, viajar, comer bem, tudo isso é importante, sem dúvida nenhuma, mas tudo isso é secundário, fugaz. Ou alguém se sustenta somente com isso.

Empresas como pessoas estão perdendo o foco. A Target pode ter encerrado sua história por aqui de forma triste. E você ? Qual será sua história em terras geladas …..

Rogério Tanganelli.

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Comentários 22

  1. Myrabel Gretch

    I want to apply to immigrate to Canada. I just started my reading up on the programs available. Can anyone explain to me the difference between a work permit and express entry? Or if you can direct me to some place where this is explained then that would appreciated.

  2. Kamila

    O sonho de todo brasileiro é ser rico e quem vai imigrar com esse objetivo é muito provável que a frustração tome conta.
    Meu objetivo principal é qualidade de vida para a minha futura família.

    Começo o processo esse ano e se tudo der certo final do ano que vem estou ai!

    Obrigada pelo post, me deu ainda mais motivação.

  3. Ana Maria Monteiro

    25 anos de Quebec.E minha casa,tenho dois paises no coracao!Nao sou rica.mas tbem.nao tenho dividas.Moro no interior apesar de ja falar frances chegando aqui tive que aprender a falar ‘quebequense’Achei dificil me adaptar no interior,procurar emprego,recomecar a estudar.Tive que aprender mais humildade ,procurar entender e aceitar que nao estava mais em meu pais de origem.O brasileiro continua com esta ideia de que imigrar para o Canada significa ficar muito rico em pouco tempo.Perdem de vista o sentido de poder andar nas ruas sem medo,pagar impostos e ter retorno e servicos publicos, bom sistema de saude publico,nao viver apavorado com bala perdida e falcatruas em todo tipo de servico oferecido ao cidado.Nao e o paraiso,mas para mim tirando o frio dos invernos rigorosos (nao pratico esportes de inverno)estaria proximo.Parabens pelo texto Rogerio Taganelli.Excelent!

  4. montrealnareal
    montrealnareal

    É difícil responder todos os comentários gente. Mas depoimentos como este Ludhi e de muita gente que tem o foco muito mais nos aspectos humanos que comerciais nos enchem de alegria e satisfação em saber que muitos estão com o foco bem alinhado. Obrigado pelo comentário… grande abraço

  5. Ludhi

    Muito bom o texto ! Extremamente realista!
    Uma ótima leitura pra quem ainda não imigrou e quer vir para cá.
    Realmente muitos chegam com a mentalidade do Brasil, achando que vão ficar ricos e dão de cara com a parede aqui, que é muito mais alta do que eles enxergavam de longe e que a escalada vai ser muito maior do que pensaram!

    Quando me perguntam o que vim fazer aqui, eu digo buscar qualidade de vida,
    e isso eu quero dizer, segurança, um trabalho que eu possa voltar pra casa no final do dia,
    passear com minha cachorra, educação e saúde acessível. Pagamos muito por isso, sim!
    Mas não reclamo ! Poder andar de ônibus de noite, ou de carro com a janela aberta isso sim é recompensa! Continuarei minha escalada, continuarei subindo, pq meu sucesso não é medido pelo cargo ou salário que tenho, mas pelo que faço e me mantém feliz na vida!

    Parabéns pelo texto!

  6. montrealnareal
  7. montrealnareal
  8. montrealnareal
  9. Pingback: Target desiste do sonho canadense | Os patos migram em bando

  10. Gregorio Salles

    O seu texto é um primor! A sua análise transcende toda a intenção de imigrar. Obrigado por nos dar o prazer dessa leitura e conhecer sua grande cabeça.

    Um forte abraço.

  11. Fabrício Jorge

    Ótimo texto, vale muito como reflexão sobre o processo de imigração e faz lembrar muito dos meus objetivos que tenho em mente nesse meu processo de imigração que estou me preparando. Li, curti e vou repassar a amigos que pensam em imigrar. Parabéns pessoal!

  12. carlams

    Muito bom mesmo o seu texto. Parabéns!!! Ainda não cheguei ai (chego em 16/03) e ler seu texto me deu um alívio enorme porque tive a sensação de que a minha expectativa corresponde a realidade. Senti que mesmo com todas as minhas dúvidas de imigrante estou no caminho certo. Obrigada.

  13. Rodrigo Macedo

    eu concordo com quase tudo que vc disse, so discordo de ser o plano B.
    no meu caso eh o plano A.
    eu procuro um lugar com melhor qualidade de vida do que a bosta que temos aqui e desde que Quebec abriu as portas para a gente, esse tornou-se o meu plano A.
    nao fui ainda pq eu acabei a faculdade e resolvi fazer outra, pois nao gostava de trabalhar na area que havia estudado.
    e como pretendo ser empresario, terei q ralar muito para alcançar meus sonhos em qualquer lugar do mundo que eu for

  14. Analy Oliveira

    Excelente texto, todas as pessoas que pensam em ir para o Canadá deveriam ler. Alguém que vai para outro país apenas com o intuito de enriquecer, muito provavelmente se frustrará, a vida de um imigrante é de muita luta e o governo canadense não tem obrigação de dar emprego 5 estrelas a ninguém, a única coisa que cai do céu é chuva e cocô de pombo!

  15. Luciana Penha

    Já era fã de carteirinha do Montreal na Real, agora ainda mais.. Parabéns Rogério, o trabalho que você e o Márcio fazem é de extrema importância. Esse texto foi um puxão de orelha para muitas pessoas que acham que tudo tem que ser fácil e em curtíssimo tempo. Já ouvi a besteira de falarem “Eles querem que a gente vá trabalhar lá mas querem que fale francês..” – com um ar de insatisfação. Kkkkkkk adorei o texto.. Parabéns !! (Se Deus permitir em breve estarei aí) abraços..

  16. Paulo Cesar

    bom texto e realista.
    Estou aqui ha 14 anos.
    Não sou rico, mas tenho minha casinha , estou criando meus filhos ( nascidos aqui) e pago minhas contas.
    Como ja disse, não sou rico. Mas não corro de bandifo no farol de transito.
    E é isso que eu vim buscar aqui.

  17. Fábio Alvarenga

    Também parabenizo o texto, que julgo importantíssimo a todos os que pretendem imigrar, e mesmo aos que já imigraram (que correm o grande risco de “perder o foco”). É natural do ser humano superestimar os seus problemas atuais e se “esquecer” dos perrengues enfrentados no passado. Isso até é positivo, pois não deixa “acumularmos” a carga negativa do passado com a do presente, o que provavelmente não conseguiríamos suportar. Só que este mecanismo de defesa psicológica muitas vezes “distorce” a realidade, fazendo com que nos decepcionemos com a imigração, pois “só encontramos problemas no Québec. Vida boa mesmo era no Brasil, sem neve, com vida familiar ‘saudável’, pessoas ‘calorosas’, trabalho ‘bom e qualificado’, empregada, cabeleireiro e manicure ‘baratos’, etc”. Porém, se esquece da violência exacerbada, da corrupção, da injustiça social, do trânsito caótico, dos serviços ‘caros’ (saúde, educação, transporte, etc), da carga tributária pesada (e com péssimo retorno), da falta de respeito com a intimidade alheia, das restrições e distorções do mercado de trabalho brasileiro, etc. Fará bem a todo imigrante às vezes deixar de olhar só “para frente” (para o que ainda não foi alcançado, ou aquilo que ‘o meu vizinho tem e eu não’) e olhar ao redor e atrás (o que eu já alcancei e quais problemas e dificuldades foram superados, alem de se reconhecer o apoio e auxílio recebidos). E se lembrar da proposta apresentada pelo Québec aos pretendentes imigrantes ($$$ ou qualidade de vida?)…

  18. Alex M (@canadaself)

    Rogério, mas precisamos levar em conta um fator básico da vida brasileira de hoje em dia: as pessoas são consumistas e medem o sucesso pela conta bancária… mas paga-se muito caro pelo básico da vida.
    Em outras palavras, muita gente vive para pagar contas. Quer algo melhor ou menos pior do que o açougue do SUS? Pague um plano de saúde particular. Mora no Rio de Janeiro e não suporta o calor do verão? Compre um ar-condicionado e depois se vire para pagar as contas de energia. Telefone/internet para comunicação e crescimento pessoal? Pague caro. Moradia? Ixe, é caro alugar ou comprar. Quer dar ao seu filho uma educação de qualidade? Passe longe do ensino fundamental e médio público e pague uma escola particular.
    Ao mesmo tempo, pague impostos altos. 27.5% da sua renda para o governo. IPTU. IPVA para quem tem carro. E tantos impostos embutidos no consumo. Esses impostos, levando em conta a corrupção e o que realmente revertem, podem facilmente ser descritos como dinheiro jogado fora.
    Está certo que muitos imigrantes brasileiros buscam o Québec como plano B, plano C… enquanto a província tem tendências esquerdistas nem sempre muito bem fundamentadas – já ouvi coisas do arco da velha nas ruas de Montreal – movimento separatista e um fascismo educadinho e sorridente também, com a famigerada Lei 101 e todas as medidas anti-língua inglesa tomadas pelo governo. Como o Québec fica no CANADÁ e ninguém no Brasil está acostumado com países multilíngues, há quem vá acreditando apenas em seu inglês macarrônico e ainda com esperanças de encontrar o Mickey Mouse nas ruas… E encontra um dialeto de francês com várias variantes de acordo com a região da província e um local cheio de influências e contradições… Enfim… sair do Brasil é o primeiro passo, mas é preciso saber muito bem para onde se vai.
    Eu, por exemplo, para o Québec não vou.

  19. ccalumby

    Parabéns pelo texto!!! Não mudaria uma vírgula de lugar.
    Estou aqui só há 3 anos. Nesse curto tempo, o que vi foi MUITA gente chegando aqui super despreparada. Sabendo nada ou quase nada sobre validação dos estudos ou profissões relaciadas com a que tinha no Br. Do tipo, pessoas da meio jurídico que não sabem o que é ou o que faz um “Notaire”. Ou que em Mtl você precisa falar inglês E francês. Ficam putos com isso. (Pode isso Arnaldo????)

    (…)“Nos poucos anos de estudo sobre o perfil dos imigrantes uma coisa posso dizer sem medo de errar. Existe um grande descompasso entre tempo, exigências e domínio das informações. São os 3 principais fatores que determinam a frustração para muitos. 1, 5, 15, quantos anos são necessários para a integração de toda uma vida ? Muita gente quer tudo de uma vez e que seja logo. A falta de informação também gera uma surpresa a cada nova barreira. Alguns chegam, encaram os primeiros desafios de validação de diploma e já se desesperam. Um estudo prévio maior eliminaria por exemplo esta frustração.”

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